quinta-feira, 30 de abril de 2020

Meditação Trataka...





Nesta altura de Pandemia, onde todas as pessoas têm dificuldade em adormecer, suas emoções estão à flor da pele, medos, ansiedade, uma mistura de sentimentos negativos achei por bem, deixar-vos um texto que encontrei nas minhas pesquisas... espero poder ajudar...

Fonte:
https://yogui.co/meditacao-trataka-o-que-essas-rodas-girando-tem-a-ver-com-a-inquietacao-mente/

Rodas girando tem a ver com a inquietação da sua MENTE?
Tales Luciano Duarte
Meditar

https://bit.ly/3apMLSa https://bit.ly/3apMLSa
Dizem que “os olhos são as janelas da alma“.
Se isso é verdade, como você pode fazer uso deste fato para melhorar sua prática de meditação?
Neste artigo, vamos explorar a relação entre os olhos e o cérebro a partir de uma perspectiva científica.

Em seguida, descrever o que é Trataka e outras técnicas de meditação técnicas para alcançar a quietude da mente através do uso de seus olhos.

Dentre os cinco sentidos principais, a vista é o mais poderoso.

Para perceber através do toque ou do gosto, precisamos estar em contato com o objeto. Para perceber um cheiro ou som, precisamos estar perto da fonte desse cheiro ou som.

No entanto, com os nossos olhos podemos perceber objetos e paisagens com milhas de distância, sem realmente estar lá.

De fato, 80% de todos os dados sensoriais que processamos vem através de nossa visão (Fonte).

Depois do cérebro, seus olhos são o órgão mais complexo do corpo, contendo mais de 200 milhões de peças de trabalho.
Fonte do Post: liveandDare

Eles também são o músculo mais rápido em seu corpo, e podem funcionar em 100% a qualquer momento, sem necessidade de descanso.

Esta câmera de 576 megapixels pode distinguir mais de 10 milhões de cores e processar informações com a mesma rapidez que o cabo Ethernet. (Fonte)


Mas o que tudo isso tem a ver com a mente e meditação?

A Relação Olho-Mente


A relação entre os olhos e o cérebro começa nos primeiros dias de vida fetal.

Seus olhos começam a desenvolver apenas duas semanas após a concepção, com a retina e o nervo óptico se desenvolvendo como uma conseqüência direta de seu cérebro.

Assim, a retina é realmente uma parte do cérebro que cresceu no olho, e também compartilha uma estrutura semelhante (Fonte).

Além disso, a visão é tão importante que quase metade do cérebro é dedicada à visão

A medicina convencional sabe que as condições de saúde mental se traduzem em padrões específicos de movimentos oculares (Fonte).

É por isso que as pessoas com boa inteligência emocional são capazes de ler seu estado mental através de seus olhos.

Na verdade, tem havido muita literatura de pesquisa sugerindo que as condições mentais envolvendo atenção (como TDAH, dislexia e ansiedade) são acompanhados por aumento movimentos oculares.

O mesmo é verdadeiro em relação à sua respiração – ela muda de acordo com a emoção ou estado mental que você está experimentando em cada momento.

Existe um padrão respiratório específico que se instala quando estamos com raiva, por exemplo; E outro quando estamos com medo, deprimido, cansado, feliz, etc.

A contribuição da filosofia oriental e da “experimentação da consciência” dos yoguis do oriente é que o oposto também é verdadeiro:

Ou seja, seus olhos e padrões de respiração também influenciam diretamente seu estado mental e emocional.

Esta é realmente uma ótima notícia, porque é muito mais fácil trabalhar no nível da respiração e globos oculares, do que no nível da mente (que é tão sutil e volátil).

Curiosamente, nas últimas décadas a Western Psychology está desenvolvendo teorias e metodologias baseadas no mesmo princípio.

Uma delas é a EMDR (Desensibilização e Reprocessamento do Movimento dos Olhos), que é uma modalidade terapêutica para o tratamento de traumas, iniciada em 1987 pela psicóloga Francine Shapiro.

Em uma pesquisa feita pelo Instituto Nacional de Saúde Mental Americano, a EMDR foi considerada ser substancialmente mais eficaz do que Prozac para PTSD.

É agora reconhecido como tratamento eficaz pela Organização Mundial de Saúde (OMS), e é um dos tratamentos para PTSD sancionada pelo Departamento Americano de Assuntos de Idosos.

Conclusão: Sua visão está fortemente conectada à sua mente. Seus estados mentais/emocionais afetam seus movimentos oculares.

Você também pode afetar sua mente, e até mesmo gerenciar o trauma, fazendo certas práticas com seus olhos.

Olhar Estável, Mente Estável

Nossos olhos estão constantemente fazendo microscópicos movimentos bruscos chamado microsaccades, projetado para se certificar de que a imagem de qualquer coisa que vai para a retina está mudando constantemente (isso é chamado o fenômeno de Troxler).

Eles fazem isso para que os objetos em nosso campo de visão continuem sendo registrados pelo cérebro;

Caso contrário, se olhassemos constantemente para um objeto por tempo suficiente, ele tenderia a desaparecer de nossa percepção.

Na verdade, nossos olhos podem se concentrar em várias coisas a cada segundo.

Esta varredura inquieta do ambiente, bem como nossa luta ou resposta rápida, era uma necessidade quando vivíamos na selva.

Em nosso estilo de vida moderno, no entanto, nossa incapacidade de desligar este padrão de produção de ansiedade não contribui para a nossa sobrevivência ou qualidade de vida.

No entanto, o uso intensivo de computadores e smartphones está nos treinando a ser cada vez mais inquietos com os nossos olhos.

Esta é uma das razões pelas quais nossa atenção se mantém cada vez mais curta.

Por outro lado, o que os meditadores de outrora descobriram é que ao acalmar esses micro movimentos dos olhos, a quietude da mente pode ser induzida.

Vamos fazer uma experiência rápida. Olhe por alguns segundos as imagens abaixo:





Você vai notar que no primeiro, fica piscando os pontos pretos; Enquanto o segundo as rodas parecem estar se movendo

Agora olhe para eles de novo, mas, em vez disso, focalize seus olhos em um dos pontos da imagem e fique atento para que seus olhos não se movam nem um pouco.

Se você conseguir fazer isso, os movimentos desaparecerão e você verá as imagens como elas são. A segunda imagem provavelmente será mais desafiadora.

Se você realmente acalmou seus olhos por um minuto ou dois, você também pode ter experimentado uma quietude de sua mente. Se não, com um pouco mais de prática torna-se evidente.

Conclusão: Distrações na mente geram micro movimentos nos olhos ou pálpebras, e vice-versa. A quietude dos olhos traz a quietude da mente, e vice-versa.

Fixação Ocular – Práticas de Meditação



Fixar os olhos não é a única maneira de alcançar a quietude da mente, mas é uma maneira poderosa, e o feedback é muito mais rápido.

Escolas de Yoga, Zen e Budismo Tibetano desenvolveram técnicas baseadas neste princípio.

Curiosamente, a pesquisa do neuropsicólogo Marcel Kinsbourne mostra que há uma relação definida entre a posição dos olhos e o hemisfério dominante do cérebro;

Tanto assim que mudar a posição do olho pode afetar diretamente seu humor e experiência do mundo.

Em suas experiências, as imagens que aparecem no lado esquerdo do nosso campo de visão e sons na orelha esquerda (ambos transmitidos para o lado direito do cérebro), são percebidos menos agradáveis do que quando são apresentados ao outro lado.

Isso é relevante porque a maioria das técnicas abaixo envolve manter um olhar central. Isso pode explicar a experiência de muitos praticantes sobre meditação trataka e técnicas semelhantes:

Que há uma integração e unificação de todo o cérebro.

Se olhar para a direita ativa o hemisfério esquerdo e olhar para a esquerda ativa o hemisfério direito, então é razoável concluir que manter um olhar perfeitamente centrado produz uma atividade cerebral equilibrada em ambos os hemisférios.

Trataka – Fixação Ocular Yogui



Trataka é uma técnica de meditação que envolve fixar os olhos (e, por sua vez, a mente) através da intenção.

Inicialmente, essa prática é feita com os olhos abertos em um objeto externo.

Ele então progride para a prática interna (com os olhos fechados), e para olhar o vazio.

Em todas as formas de trataka, você pode integrar consciência de respiração ou a repetição de um mantra se você achar útil, embora não é comumente ensinado dessa forma.

Trataka é uma técnica muito rica, então aqui vamos resumir seus principais elementos.

Tem havido muito pouca investigação científica nesta prática (exemplo). Portanto, o que sabemos em termos de seus benefícios é, em sua maioria, todas as evidências de profissionais que dedicaram anos à sua prática.

Neste contexto, trataka é atribuído a ter os seguintes benefícios:
Melhora a concentração, memória e força de vontade

Melhora as habilidades de visualização

Melhora a função cognitiva

Cura doenças oculares

Torna os olhos mais fortes, mais claros e mais brilhantes

Ajuda com insônia

Limpa os complexos mentais / emocionais acumulados

Traz pensamentos suprimidos à superfície

Aumenta a estabilidade nervosa

Acalma a mente ansiosa

Balança a atividade nos dois hemisférios do cérebro

Melhora a visão no escuro (se praticado em uma chama de vela)

Efeito calmante sobre os nervos cranianos (Dr. Giridar Yogeshwar)

Aumenta a autoconfiança e a paciência

Primeira Fase: Externa


O primeiro nível da prática é o olhar externo.

O objeto pode ser quase qualquer coisa, embora as escolhas as mais populares sejam uma chama de vela, um ponto preto em uma parede branca, ou uma imagem com significado particular para você.

Outros objetos usados são a sua imagem em um espelho, vidro transparente, uma agulha, uma corrente de água, a lua no céu, ou os primeiros minutos do sol nascente.

1 - Foque seu olhar no objeto, e mantenha-o sem piscar e sem deixar seus olhos se moverem.

2 - Após 1 a 3 minutos, seus olhos estarão cansados ou lágrimas podem estar correndo.

3 - Em seguida, feche os olhos por alguns minutos, e olhe para a imagem final do objeto na sua mente, se você pode vê-lo.

4 - Quando estiver pronto, abra os olhos e vá para outra rodada.

5 - No final da sua prática, lavar suavemente os olhos com água fria.
Algumas considerações na prática:
1 - Uma vela é preferida porque a chama tem uma atração natural para muitas pessoas. O fogo é como ímã para os olhos e mente. Além disso, deixa uma pós-imagem muito clara na mente.

2 - Não pratique Trataka externo por mais de 10 minutos (especialmente a versão de admiração de velas), a menos que você tenha a orientação de um professor experiente nesta técnica.

3 - O truque em trataka reside em relaxar os olhos, tanto quanto possível - caso contrário, sua visão em breve deve fazer os olhos piscarem.  Não se preocupe se tudo o que você pode fazer seja 10 segundos sem piscar; Com o tempo você será capaz de percorrer longos períodos sem piscar.

4 - Coloque o objeto ao nível dos olhos em suporte à sua frente.

5 - Quanto à distância do objeto de você, alguns professores recomendam uma distância do braço (isso funciona para mim), enquanto outros recomendam até 5 metros de distância. Experimente e veja o é melhor para você.

6 - Certifique-se de que você possa  ver o objeto claramente, sem nuvens. Se necessário, use seus óculos.

7 - Se você estiver usando uma vela, deixe o seu quarto completamente escuro, e certifique-se que não há vento. Para outros objetos, a luz fraca é preferida e a fonte de luz deve estar atrás de você.

8 - Olhar com propósito, como se você está procurando algo. Momento após momento, tudo que você está fazendo é observar esse ponto, sem pensar nisso.

9 - Alguns textos de Yoga mencionam a tentativa de "perfurar o objeto com seu olhar"; Outros dizem que deve ser um olhar relaxado. Provavelmente uma questão de experimentação para ver o que é melhor.

10 - Tente não piscar, mas não tente muito. Quanto menos pensar nisso,  mais fácil é.

11 - Não estique seus olhos. Se sentir desconforto, pisque os olhos e continue a prática. Mas não os mova.

12 - Não faça trataka com uma vela se você tiver catarata, glaucoma, miopia, astigmatismo ou epilepsia.
Outras Formas:

Outras duas práticas tradicionais de trataka externa, e que não envolvem qualquer objeto, estão em fixar olhar na ponta do nariz (nasikagra drishti) ou fixar no espaço entre as sobrancelhas (shambhavi mudra – terceiro olho).

O primeiro induz calma e centramento; O segundo, alerta e expansão.


1 - Para praticar o olhar na ponta do nariz, coloque seu dedo indicador aproximadamente um braço de comprimento longe de seu nariz, no nível do olho.

2 - Olhe a ponta do seu dedo por alguns momentos até que você esteja confortável com ele.

3 - Em seguida, lentamente começe a aproximar o dedo mais próximo da ponta do seu nariz, mantendo-o com o seu olhar.

4 - Pare ao longo do caminho, se necessário, para que seus olhos se acostumem com ele.

5 - Quando seu dedo toca o nariz, solte seu dedo, e apenas continue olhando para o nariz.

6 - Faça isso por não mais de 10-15 minutos nas primeiras semanas.
Para praticar o olhar no centro da sobrancelha, siga o procedimento semelhante, com a diferença de que a ponta do dedo deve estar ao nível das sobrancelhas.


Estas duas técnicas também podem ser praticadas com olhos fechados. Provoca menos tensão nos olhos, mas é mais difícil manter o foco.

Ambas as práticas são muito poderosas para tornar a mente calma e centrada. Mas lembre-se de abordar estas práticas lentamente e com paciência.

Caso contrário, você pode experimentar uma dor de cabeça.
Segunda Fase: Interna


Com o tempo, sua concentração e habilidades de visualização aumentarão, e você progredirá para praticar o olhar interno exclusivamente.

Aqui, você está olhando para uma imagem mental de seu objeto, ou simplesmente visualizando um ponto de luz em sua “tela da mente” (o espaço preto na frente de seus olhos fechados).
Você também pode praticar trataka interna com uma cena externa como um suporte.

Centre seu olhar em um ponto central em seu campo visual, e observe o cenário inteiro em torno de você.

Em seguida, feche os olhos e tente recriar a mesma cena dentro.

Mantenha sua consciência no centro da sobrancelha e deixe a imagem construir acima para você, apenas como fez quando você o olhou externamente.
Terceira Fase: Espaço


Depois de dominar o olhar interno, você pode proceder a olhar para o vazio.

No início, é aconselhável primeiro fazer trataka externa.

Caso contrário, sua mente não terá a estabilidade necessária para fazer o melhor uso dessas práticas, e você provavelmente ficará muitas vezes perdido em distração ou letargia.

As modalidades comuns deste tipo de trataka são:

Boochari Mudra -> levantar a mão na frente do seu rosto, e olhar para a ponta do dedo por alguns minutos. Em seguida, retire sua mão, mas continue olhando para o mesmo local. Você está agora olhando o espaço, ou o vazio. Esteja ciente de espaço apenas, e não registre quaisquer outros eventos. Quando o foco dissipa, levante a mão e começe de novo.

Espaço -> Selecione dois objetos em seu campo visual, e foque no espaço entre eles. Depois de algum tempo, feche os olhos e concentre-se no espaço entre seus pensamentos.

Escuridão -> Em um quarto sem luz, olhar para um lugar na escuridão na sua frente. (Atenção: não tente esta prática se você tiver deprimido ou tiver sido exposto a experiências traumáticas).
O vidente -> Com os olhos fechados, vire seu olhar 180 graus ao redor de si mesmo. Olhe para o “eu”, o observador, a consciência percebida. Este é de fato, um tipo de meditação de Auto-Inquérito, embora quase todo mundo tente antes o treinamento prévio de trataka externo e interno para conseguir essa forma mais avançada.

Através de trataka, toda a atenção e poder da mente é canalizada em um fluxo contínuo.

Em muitas linhagens de Yoga, é considerado o alfabeto da meditação, e também como um exercício de concentração altamente eficaz.

Os antigos manuais de Yoga afirmam que:
“Trataka destrói as doenças dos olhos e remove a preguiça, etc. Deve ser mantido em segredo com muito cuidado, como uma caixa de ouro.” (Hatha Yoga Pradipika 2:31)
Na escala do Yoga, a trataka é muitas vezes considerada a ponte entre as práticas orientadas para o corpo – como posturas (asanas) e exercícios de respiração (pranayama) – e as práticas orientadas à mente da meditação (dhyana) e do estado superconsciente (samadhi).

É também uma preparação essencial para todas as meditações do tipo visualização.

Recomendo livros sobre o tema de Trataka são Asana Pranayama Mudra Bandha e Dharana Darshan (este é um dos mais abrangente encontrado até agora). Estes dois tratados, e outros livros Bihar Yoga.

Vamos agora explorar outras práticas trataka de tradições diferentes.

Fixação do olhar no céu – Budismo tibetano


Dzogchen, uma tradição do Budismo Tibetano, recomenda a prática do olhar para o céu.

1 - Encontre um lugar alto com uma boa visão de um céu claro expansivo. (Você também pode deitar de costas e experimentá-lo).

2 - Sente-se confortavelmente e por alguns momentos acalme sua mente com longas e profundas respirações lentas.

3 - Com uma boa postura, incline a cabeça ligeiramente para cima e com um olhar de disposição nobre sem distração ou embotamento para o céu azul expansivo claro (melhor feito em dias não-nublados).

4 - Deixe de lado todos os pensamentos, permitindo que eles passem como nuvens, e incentive sua consciência a fundir lentamente com o céu azul expansivo.

5 - Observe como os pensamentos internos evaporam em sua consciência interior como as nuvens que evaporam no céu.

6 - Reconhecer que esta experiência aberta e expansiva é realmente o estado mais fundamental e natural de seu ser.

7 - Sustentar este reconhecimento de um estado aberto e expansivo do ser por maior tempo possível, e voltar a ele quando você se distrair.

8 - Ao contrário das práticas Yoguis de trataka, que enfatiza a concentração, a prática acima enfatiza o repouso em um estado natural da mente (que o céu azul claro representa).

Aqui está uma outra descrição desta prática, esta muito parecida com as práticas do “estágio três” de trataka Yogic (olhando o vazio):
O método de olhar Dzogchen desorienta a mente conceitual. É muito importante praticar o olhar primeiro.
Você tem que fazer isso para manter seus olhos de procurar formas sobre as quais eles tendem a resolver.
Nos termos de Dzogchen, treinamos através dos sentidos e dos campos dos sentidos, em vez de tentar deixar de pensar. Aprendemos a concentrar nos sentidos. Mantemos os sentidos imóveis em relação ao mundo externo.
Você pode sentar ao lado do mar. Ou perto de um rio. E se concentrar no detalhe da superfície da água, de modo que você a veja claramente. Você fixa então seu olhar.
Os músculos dos olhos costumam rastrear os movimentos movendo-se para trás e para a frente ao longo da linha de movimento. Você se torna consciente desse movimento e tente continuamente congelá-lo – para fixar seu olhar.
Este é um específico de muitas práticas de Dzogchen. A impressão que você receberia seria como uma fotografia tirada a uma velocidade lenta. Esta é uma das melhores maneiras de treinar na fixação do olhar.
A maneira de treinar se concentrar no espaço, em termos de Dzogchen, é aprender a se sentir confortável quando seus olhos não têm nenhum objeto de foco.

Isto parece desafiador no início, mas não é tão complexo como parece
Fixação do Olhar – no Budismo Zen

Na meditação de Zazen, descansamos o olhar no chão, cerca de um a dois metros à frente.


Ou, enquanto estamos de frente para uma parede, fixamos o olhar sobre um terço do fundo da parede para a sua própria altura.

Nós não olhamos para a parede, mas através dela, para estarmos abertos à visão periférica.

Você não está olhando para nada, e não vendo nada, mas apenas olhando suavemente.

Os olhos também são mantidos imóveis e semi-fechados, para minimizar a necessidade de piscar.

Então, você traz a atenção para a respiração, ou para o corpo “apenas sentado”.
Fixação do Olhar em Outras Tradições



Na Grécia clássica, os filósofos praticavam o olhar no umbigo “omphaloskepsis“, como auxílio à contemplação dos princípios básicos do cosmos e da natureza humana.

Você também encontra a prática de olhar fixamente na Igreja Ortodoxa, onde ícones de santos e personagens da Bíblia são os únicos companheiros que os monásticos levam com eles por longos períodos de retiro.

No budismo Theravada, há a prática da meditação Kasina, que também começa olhando para um objeto externo, e mais tarde progride para se concentrar na imagem mental desse objeto.

Os dez objetos recomendados pelo Buda para isso são: terra, água, fogo, vento, branco, amarelo, vermelho, azul, espaço (ou céu), luz brilhante.

Podemos ver fortes semelhanças com a seleção de objetos trataka da tradição Yoga – o que não deve ser surpreendente, uma vez que o Buda aprendeu meditação dos yoguis na Índia.

No Taoísmo, há uma prática de olhar flores, onde mantemos um foco relaxado e receptivo em uma flor, e sentimos que estamos bebendo na cor, forma, perfume e energia de cura da flor. Eles também têm prática de qigong olhar fixamente a lua.

No Sufismo, há também a prática interna de “contemplar o Amado”.

No misticismo judaico (Kaballah) existe a prática de contemplar certas formas geométricas e símbolos.

Se você tem mais informações sobre essas práticas, meditações de fixar o olhar em outras tradições, por favor me avise. Ficarei feliz em incluí-los aqui.


Conclusões Finais

Geralmente, lemos muito sobre como fazer meditação usando o senso de toque (como na consciência da respiração, atenção e meditação ambulante) e o sentido da audição (meditação do mantra, TM, nada yoga).

Neste artigo eu me concentrei em técnicas que usam o nosso sentido da visão.

Outros tipos de meditação usarão sentimentos (como bondade amorosa e algumas meditações tântricas), lugares no corpo (meditação chakra, yoga nidra) ou imaginação.

Mesmo se as meditações de fixação ocular a não é para você, simplesmente estar mais consciente de seus movimentos de olhos em sua própria prática de meditação e tentar mantê-los, pode ser útil ao seguir outras técnicas.

Vimos como a visão é o sentido mais poderoso, e como é uma porta direta para influenciar nossos estados mentais.

Se você pode gastar 5 minutos em um olhar perfeito, sua mente vai certamente experimentar uma sensação de quietude – caso contrário você não poderia ter mantido o olhar.

No momento em que você tem ao mesmo uma leve memória, pensamento ou imaginação, seus olhos terão um micro-movimento, e você vai notar imediatamente.

Quando eu tentei essas meditações pela primeira vez, eu não gostei imediatamente.

Mas um ano depois, quando eu tentei-los novamente com uma melhor compreensão de seu valor, eu comecei a realmente apreciá-los.

Minha principal prática de meditação melhorou muito depois de me envolver seriamente em trataka como uma prática de apoio.

Você já tentou alguma prática semelhante? Em caso afirmativo, compartilhe suas experiências.



domingo, 19 de abril de 2020

As Chagas que alegram os nossos Corações...


Acredito que, quem tem um espaço verde e colorido, seja mais fácil, fazer o isolamento social... quando tudo passar vai haver mais pessoas que vão precisar de apoio psicológico... estar dentro de quatro paredes, com os companheiros filhos e até animais a reclamarem de cansaço, de estar em casa, de espaço, deve ser de doidos...

Nem toda a gente tem a sorte de ter um espaço verde... alguns por opção (porque não gostam do mato) outros, porque não têm alternativa e têm que se sujeitar...

Espero que passe, depressa ou devagar, mas que não cause muitos estragos... mentalmente, financeiramente...

Haja Fé, Esperança Coragem, Força e Inteligência...



Os animais nossos amigos, também estão lá para nos ajudar a ultrapassar este momento... as chagas vão alegrar os nossos corações tristonhos, com as suas cores fortes...
É tempo de Reflexão, aproveitemos este isolamento para melhorarmos o nosso estado mental e espiritual, fazer balanços da vida, o que podemos modificar, para nos tornarmos melhores...


...tudo vai passar... mas nada ficará igual...


domingo, 12 de abril de 2020

Boa Páscoa... com Saúde...





É uma Páscoa, diferente, estranha e esquisita... apenas vai ser assinalada pelo calendário e nos nossos corações... para todos os que estão do outro lado, sozinhos ou acompanhados, sem abraços e beijinhos, que estão de costas, no cotovelo ou no pé, recebam os meus abraços e beijinhos espirituais... desejo-vos muita Saúde, neste momento, o mais importante... 






segunda-feira, 30 de março de 2020

CORONAVÍRUS = COVID 19

O texto não é meu, deixo-vos a fonte. Vale a pena visitar...

Fonte: http://jardim-espirita.blogspot.com/


VISÃO ESPÍRITA SOBRE O CORONAVÍRUS – COVID-19

          O Espiritismo, ao nos ensejar o exercício da fé raciocinada, ensina-nos a ampliar a compreensão dos fatos históricos e contextos sociais, convidando-nos à prudência, à confiança e à serenidade mediante as experiências educativas do mundo, de modo a aperfeiçoarmos as nossas competências espirituais. - Federação Espírita Brasileira.

                            

           Assim, para nós espíritas essa pandemia espalhada por todo o planeta, em que todos os continentes, raças, classes sociais estão sofrendo com o covid-19, é uma provação para a humanidade, uma experiência educativa para o mundo, para aperfeiçoarmos as nossas competências espirituais. É um fenômeno para o progresso da humanidade. Nós vivemos ainda em um mundo de provas e expiações, e o sofrimento é uma das condições deste estágio evolutivo de mundo, em que ainda precisamos provar e expiar para aprendermos e evoluirmos. Mas, o planeta Terra está em processo de mudança para um mundo de regeneração.

           A Associação Médico-Espírita do Brasil (AME-Brasil), em sua última nota publicada, falou:
          Também é de grande importância relembrar que este tipo de fenômeno é ferramenta para acelerar o progresso da humanidade, que neste momento encontra-se em processo de transição. Estamos passando por uma experiência nova, na qual ainda temos muito que aprender. Que possamos vibrar positivamente, mantendo a fé e a esperança e aproveitar a oportunidade para desenvolver em nós inteligência, paciência, resignação, abnegação e o amor ao próximo.

          Nisso para deixarmos esse mundo de provas e expiações para traz que é de sofrimento, precisamos aprender mais sobre o amor, e a nos melhorarmos como indivíduos, progredir espiritualmente, expurgar os males que ainda carregamos. Divaldo Franco (em uma entrevista concedida à D’Ponta Web News. Ponta Grossa. Paraná), diz: “Que é uma crise, que antes de um grande salto, tem um problema. Essas crises nos ajudam a evoluir. Então essa é uma crise inesperada, porém, providencial, para chamar as criaturas todas do mundo que os valores mais resistentes são os valores do ser. (...) Então, o Espiritismo verifica como fenômeno natural, que sempre houve epidemias, pandemias (...) Então, são fenômenos ‘creio’ da própria evolução do planeta. E chegará um dia que tudo isso será superado.”

          A construção para o mundo de regeneração conta-se que vem de alguns séculos já, é um trabalho lento e que vai no ritmo de acordo com o processo evolutivo da humanidade. Nós como humanidade, com o coronavírus, temos que provar em conjunto, mas vamos superar, como aconteceu tantas outras vezes pela história do planeta. Nós progredimos pelo amor ou pela dor. Nisso somos mais aptos a escutar a dor do que o amor, ainda isso é da natureza humana. Mas, com esta situação em que estamos todos vivendo por todo o planeta, temos a possibilidade de amar, muito mais, de colocar a luz que carregamos para iluminar esta escuridão em que estamos atravessando. E podemos fazer isso ficando em casa, sair de casa só em caso de necessidade. Se você pode ficar em casa, fique. Pedir para ficar em casa, não é algo fácil, e cada um sabe de suas necessidades, nem todos tem reserva financeira, nem todos tem uma casa confortável para ficar. Mas, se você pode ficar em casa, fique colocando o seu amor em prática, em apenas ficando em casa.

                             


         Das pandemias que a humanidade já enfrentou, não queremos chagar a esses números de mortos, por isso do isolamento social, algumas foram (fonte da revista exame):
- Peste negra, que surgiu em 1346. A doença foi provocada por uma nova cepa da bactéria.
- No século 16, os historiadores desistiram de catalogar o surgimento de novas doenças, tal a quantidade delas. A boa notícia é que as pragas não eram tão virulentas. Ocorreram surtos de febre amarela, tifo, sarampo, hepatite e lepstospirose principalmente na Europa. Cerca de 3 milhões de pessoas morreram.
- A gripe espanhola, provocada por um vírus, assombrou o mundo em 1918, ao final da Primeira Guerra Mundial. Mais de 75 milhões de pessoas morreram, globalmente.
- Gripe Asiática, em 1957.A gripe asiática também teve início na China e matou até 2 milhões de pessoas no mundo, principalmente idosos.
- Gripe de Hong Kong, em 1968 -1969. Tenha matado 1 milhão de pessoas entre 1968 e 1969. É provável que o vírus que causou a doença tenha evoluído da gripe asiática.
- Gripe Suína, em 2009. Quase 300 mil pessoas morreram. O fim da pandemia foi decretado pela OMS em agosto de 2010.

          Com a tecnologia, com o poder da comunicação em massa em nossas mãos a todo o momento, temos mais a possibilidade de nos prevenir, de aprender a nos prevenir e proteger os nossos amados e todos os outros, e de aprender com tudo isso. No estágio evolutivo em que estamos, e com todo conhecimento em que temos não precisamos mais repetir os números de mortos das outras pandemias. Vamos fazer tudo que está ao nosso alcance para não chegar ao número de mortos das outras pandemias. O que está acontecendo é para aprendermos, hoje carregamos mais amor que antes, por isso nos preocupamos mais com as vidas, com as pessoas, porque cada vida importa, estamos dando mais valor a vida, pelo fato de haver mais amor no mundo, o Espírito Bezerra de Menezes tem transmitido a mensagem de que nunca se viu tanto amor na Terra como tem nos últimos dias. Embora, certos ecos negativos ainda ecoam, mas tenhamos a certeza de que temos tanto amor em nosso ser imortal, hoje podemos amar muito mais e muito melhor do que antes, pois já aprendemos com tantas coisas vividas pela história da humanidade. Com essa pandemia do covid-19, só é nos pedido para ficar em casa, para lavarmos as nossas mãos, e quanto mais seguimos as orientações da OMS, mas cedo pode-se controlar essa pandemia, tudo que isso acarreta vale a pena para não chorarmos a partida de pessoas que amamos, ou vermos nossos irmãos a chorar pelos seus entes amados.

          É o momento de termos e aprendermos o que é empatia, de nos colocarmos no lugar do outro. É o momento de termos e aprendermos o que é ser altruístas, de ter atitudes que visa o bem-estar do próximo, sem interesse particular.

                            

         É o Cristo Jesus, a nos chamar mais uma vez para amar o próximo como a nós mesmo. Este é mais um chamamento, e tenhamos a confiança de que estamos amando mais, de que somos capazes de renunciar o nosso cotidiano, renunciar o material (com o que está acontecendo de não podermos desempenhar momentaneamente as nossas atividades de trabalho), renunciar a nossa rotina para o bem do próximo. Estamos aprendendo e colocando valores imortais em prática, valores em que levaremos para todo o sempre da nossa senda evolutiva. Jesus nunca se cansa de nós, e vamos vencer essa pandemia com amor, e seguindo as orientações que a comunidade cientifica nos orienta a ter, lavando as mãos, ficando em casa, cuidando dos mais vulneráveis e doentes... Se a comunidade cientifica nos pede isso, se a Organização Mundial de Saúde nos orienta a isso, é porque o progresso da humanidade por meio de tudo que já passou e com a permissão Divina chegou a essa resolução cientifica, que são coisas básicas, de fácil entendimento e que todos podemos fazer e entender; os que tem dificuldades de entendimento ou financeiro, devemos amparar a esses irmãos com o que necessitam. É crucial para salvar vidas (que pode ser a vida dos nossos entes queridos) que escutemos as recomendações da Organização Mundial de Saúde. Unidos faremos toda a diferença.

         Deus nunca desampara. Estamos sendo amparados e vamos ser amparados pelo infinito Amor de Deus quando tudo isso passar, os meios para nos mantermos financeiramente vão nos ser mostrados, repetiremos sempre que Deus não nos desampara, e ainda temos a capacidade amorosa de ajudar aqueles que estão precisando e que irão precisar.

        Lembremos dessa máximos do Cristo Jesus:

“Não vos inquieteis, pois, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou de que nos vestiremos? Como fazem os pagãos que procuram todas essas coisas; porque vosso pai sabe que delas tendes necessidade.

Procurai, pois, primeiramente o reino de Deus e a sua justiça, e todas essas cosias vos serão dadas por acréscimo. Por isso, não estejais inquietos pelo dia de amanhã , porque o dia de amanhã, cuidará de si mesmo. A cada dia basta o seu mal.” (Mateus, cap. VI, v. 31 a 34)


Escrito pelo Blog Jardim Espírita.

domingo, 15 de março de 2020

A nossa força...


"A nossa força está na Fé da oração em uma sincera conversa com Deus.

Quem mantém acesa a chama da Fé no coração, recebe milagres.

Tentar mudar alguém porque seu comportamento não nos agrada está longe de ser boa ideia. É na autenticidade que o verdadeiro carácter se revela.

Que Deus nos abençoe a cada manhã, a cada passo, a cada pensamento, em cada sonho, em nosso trabalho e em tudo que nos possa fazer melhores.

Não pense que pode mudar outra pessoa. Vaidade faz você perder tempo.

Ninguém pode ofertar, dar e prometer o que não tem e muito menos o que não existe.

Não importa o tempo que leve, toda a ingratidão um dia volta para quem a cometeu.

O ego transmite o orgulho dos tolos.

Às vezes nos transformamos naquilo que mais tememos.

Conhecimento não aumenta inteligência.

Fazer o bem simplesmente porque é certo fazer o bem, e não porque você garantirá um lugar no céu.

Tudo bem não estar bem, a vida nem sempre nos presenteia com flores e manjares. Viver requer coragem e às vezes isso pode doer muito.

Ninguém constrói felicidade em cima de tristeza alheia.

Era assim...tinha quase tudo... vacilou, escorregou... deixou-se levar pela emoção... tomou uma rasteira... escolheu mal a semente. Hoje vive reclamando, cultivando o que plantou.

Evolua tanto que os outros precisarão conhecer você de novo.

Mesmo quando a vida fica difícil sorria. Um sorriso atrai bons fluídos.

O mal existe, assim como o bem, somente no caminho do bem é que encontraremos a Verdade, a Paz e o Amor que tanto Almejamos."


(pensamentos)





























domingo, 8 de março de 2020

Amor e Paixão...


O texto não é meu, mas gostaria de partilhar convosco, fica o endereço caso queiram visitar... merece a pena...



Muitas pessoas se preocupam em saber se estamos diante da pessoa que escolhemos no mundo espiritual para ser nosso marido ou esposa. Quem dera que a gente soubesse! Se fosse possível essa identificação sem nenhuma margem de erro, as uniões conjugais seriam muito felizes!

Não é importante saber se o nosso parceiro ou parceira é alguém que elegemos antes de reencarnarmos. O importante é verificarmos se os gostos e tendências do outro demonstram que existe afinidade entre nós, independentemente de já termos convivido com ele ou não. O importante não é uma parceria previamente definida, mas é a formação e a manutenção de uma parceria feliz.





Uma pessoa adequada para nós é aquela que nos produz emoções, não aquela que nos provoca sensações. Se um rapaz encontra uma moça e imediatamente sente a irrupção do desejo sexual, isto é uma sensação. Mas se ele a vê, e logo sente por ela um encantamento especial, um impulso para se aproximar com cuidado e gentileza, estará diante de uma emoção, que tem caráter mais profundo. Por outro lado, uma moça conhece um rapaz e logo o associa à imagem de um ator famoso, que lhe desperta sonhos eróticos e que agora vê de alguma forma materializado na figura do jovem que encontrou. Isto representa uma sensação, uma eclosão de interesse sexual. Contudo, se ela se depara com o rapaz e sente alegria por vê-lo, uma necessidade de estar ao seu lado e de conversar, de tocar-lhe a mão com ternura, ela experimentou uma emoção, o desabrochar de uma centelha de afetividade.

No caso do rapaz que se encantou com uma jovem, e no episódio da moça que se sentiu feliz com o encontro, a comprovação da afinidade se fará somente mais tarde, à medida que o relacionando se tornar mais profundo, porque o sentimento estará mais bem caracterizado. Em caso de se confirmar a afinidade é provável que a pessoa que está em nossa companhia seja uma alma querida, que antes de renascer se comprometeu conosco para a formação de uma família saudável. No entanto, não há como estabelecer critérios infalíveis para essa conclusão.

Se a decisão de unir-se a outra pessoa exige uma análise cuidadosa, que se inicia no
autoconhecimento e tem continuidade na convivência com o outro, isto se torna um dos aprendizados mais importantes para o jovem: a distinção entre amor e paixão.

É medida de urgência que o jovem identifique quando encontrou o amor ou quando foi acometido por um surto de paixão que terá existência breve.

No campo do relacionamento a dois, identificamos duas formas de atração que se hospedam na intimidade do ser humano.

A primeira delas é a paixão, a atração provocada pelos instintos, que surge como uma febre de desejo e está relacionada ao impulso para a procriação. A paixão pode até ser interpretada como uma forma de amor, mas um amor primitivo e imediatista, que todos trazemos das experiências evolutivas do processo antropossociopsicológico, permanecendo em nós para favorecer a perpetuação da vida.

A outra forma de atração que nos motiva a estabelecer vínculos é o amor propriamente dito, verdadeiro e plenificador. Este sentimento também nos impulsiona ao intercurso sexual, cuja finalidade precípua, além da continuidade da espécie, é o intercâmbio de hormônios psíquicos, de vibrações emocionais que sustentam a vida e realimentam os sentimentos profundos daqueles que mantém um vínculo afetivo.

Muitos autores da história da Filosofia, como Epicuro, que viveu aproximadamente no ano 350 antes de Cristo, estabeleceram que a felicidade depende do prazer. Esse pressuposto é o fundamento da doutrina hedonista, segundo a qual para estar realizado o indivíduo necessita ter poder para comprar o que deseja, amealhando posses materiais e desfrutando de todas as oportunidades de prazer que estiverem ao seu alcance.

Neste sentido, o sexo exerce papel preponderante, porque a proposta hedonista se perpetuou em nossa esfera emocional até hoje. Como a maioria de nós vive preocupada em atender ao prazer, mas não consegue obter todos os bens materiais e o poder social que gostaria de possuir, o sexo, na sua feição de instrumento da paixão, acaba tornando-se uma válvula de escape para nossas fugas psicológicas. O ser humano decide praticar o sexo para experimentar o prazer sem a necessidade de ter culpa ou conflito, entendendo que se não está enfrentando ou prejudicando o seu semelhante para obter vantagens materiais, tudo estará dentro de um padrão de normalidade. Ele poderá desfrutar do prazer sexual sem se perturbar e conservando a consciência tranquila. Por isso, a pessoa troca de parceiros sempre buscando experiências agradáveis e aventuras, esquecendo-se de que após o orgasmo, quando advém o relaxamento do corpo e o repouso, a sensação de prazer é logo substituída por um sentimento de frustração. Com a continuidade das experiências malsucedidas, o indivíduo vai lentamente descobrindo que o prazer verdadeiro somente poderá ser vivenciado quando o sexo estiver fixado num sentimento profundo de amor.

Na história evolutiva do espírito, a paixão e o amor se encontram como duas vertentes à disposição do livre-arbítrio, a partir de cuja escolha ocorre o nosso desenvolvimento moral ou a nossa decadência espiritual. Quando optamos pela paixão, estacionamos voluntariamente em alguns degraus da evolução até nos resolvermos pela libertação das amarras da inferioridade mediante a conquista do amor."






Fonte: Livro – Sexo e Consciência. Divaldo Franco, organizado por Luiz Fernando Lopez.